Senhor, dá-me dessa água
Sl 94
Rm 5,1-2.5-8
Jo 4,5-42
Estamos adiantados no caminho
quaresmal. Com os catecúmenos da Igreja, contemplamos neste Domingo três
imagens que ilustram a peregrinação da vida humana: o deserto, a sede e a água.
DESERTO. Assim como o povo
peregrinou por quarenta anos no deserto e assim como Jesus retirou-se por
quarenta dias em oração, a Quaresma é tempo de irmos ao deserto, símbolo do
retirar-se do aprisionamento aos afetos deste mundo e procurar viver em maior
intimidade com Deus. No deserto, o povo sente sede – isto é, ao nos esvaziarmos
de nossas falsas seguranças, percebemos qual é nossa real necessidade.
SEDE. “O povo, sedento de
água, murmurava contra Moisés e dizia: <Por que nos fizeste sair do Egito?
Foi para nos fazer morrer de sede, a nós, nossos filhos e nosso gado?>”
(Ex 17,3). De que temos sede? Sentimos necessidade de muitas coisas básicas no dia
a dia. Mas há uma sede mais profunda, que envolve todo o nosso ser. Desde sua
criação, o ser humano tem sede de plenitude, de alegria verdadeira. Criados
à imagem e semelhança do Senhor, podemos dizer sem medo de errar: temos sede de
Deus. “Assim como a corça suspira pelas águas correntes, suspira igualmente
minh’alma por vós, ó meu Deus!” (Sl 41,1).
ÁGUA. Sendo assim, sabemos
qual é a água que de fato preenche nosso ser, sacia nossa sede mais profunda:
Deus. O relato evangélico da samaritana é uma página belíssima desta realidade.
Nele contemplamos o deserto da vida de uma mulher marginalizada. Por ser
samaritana (excluída pelos judeus) e por ser mulher (numa sociedade
patriarcal), o evangelista destaca que ela buscava água ao “meio-dia” – com o
sol quente, certamente o horário mais vazio, para não ser vista por ninguém.
Naquele deserto, com uma sede interior tão grande, a samaritana junto ao poço encontra-se
com a água da vida: Jesus. Deus vem ao nosso encontro. Ele pede à samaritana: “Dá-me
de beber” (Jo 4,7). Mas na verdade é Ele a água que sacia a sede mais
profunda do ser humano: “Se tu conhecesses o dom de Deus e quem é que te
pede: <Dá-me de beber>, tu mesma lhe pedirias a ele, e ele te daria água
viva” (4,10).
A água é símbolo evidente do
Batismo, para o qual os catecúmenos se preparam nestes dias, até a Vigília
Pascal. “Vinde, exultemos de alegria no Senhor!” (Sl 94,1).
* Para meditar as leituras deste 3º Domingo da Quaresma, acesse: Arquidiocese de Mariana.
Comentários
Postar um comentário