Eu sou a luz do mundo

  

4º Domingo da Quaresma:
1Sm 16,1b.6-7.10-13a
Sl 22
Ef 5,8-14
Jo 9,1-41

 

             Os últimos três Domingos da Quaresma nos ajudam a compreendermos as razões pelas quais Jesus será condenado e morto na Sexta-feira da Paixão. No 3º Domingo, Jesus é incompreendido por seus discípulos, que ficam espantados por vê-lo conversar com uma mulher samaritana. Neste Domingo, o Senhor encontra forte oposição por parte dos fariseus, incomodados com a cura do cego de nascença (um sinal grandioso!) em dia de sábado. Na próxima semana, contemplaremos que a ressurreição de Lázaro é o cume da rejeição de Jesus por parte das autoridades dos judeus, que se dispõem finalmente a entregá-lo à morte.

            Mas além deste aspecto, a liturgia destes dias nos ajuda também a acompanharmos os catecúmenos que se preparam para o Batismo na Vigília Pascal, bem como a preparar todos os batizados para a renovação de sua fé na noite santa de Páscoa. No Domingo da samaritana, o sinal da água – matéria indispensável do batismo. Hoje, o elemento da luz – “Eu sou a luz do mundo” (Jo 9,5) –, que aponta para a chama do círio pascal, a luz do Ressuscitado. No próximo Domingo, com a ressurreição de Lázaro, a clareza de que todos os que participam da vida de Cristo pelo batismo, ressuscitam com Ele para uma vida nova.

            No evangelho da cura do cego de nascença, Jesus tira das trevas a visão de homem marginalizado, sofrido. Iluminado por Cristo, aquele homem professou: “<Eu creio, Senhor!> E prostrou-se diante de Jesus” (9,38).

Que significa dizer que Cristo é a luz de nossa vida? Assim como num caminho escuro, sem luz, corremos o risco de tropeçar e errar a meta, e assim como uma pequena luz pode contribuir para que enxerguemos a estrada, quem deixa-se iluminar por Cristo tem mais clareza do caminho a percorrer e está mais próximo de alcançar o objetivo, em meio às pedras e espinhos da vida. “Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei. Estais comigo com bastão e com cajado, eles me dão a segurança” (Sl 22,4).

Além disso, assim como num quarto escuro não conseguimos enxergar sua bagunça, sua sujeira, e assim como num quarto iluminado conseguimos ver melhor o que precisa ser mudado, arrumado, assim o fiel que se deixa iluminar por Cristo pode ver melhor suas imperfeições e, com a graça de Deus, mudá-las. “Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Vivei como filhos da luz” (Ef 5,8). Deixemo-nos iluminar por Cristo!

 

* Para meditar as leituras deste 4º Domingo da Quaresma, acesse: Arquidiocese de Mariana.

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