Eis o Cordeiro de Deus

 

2º Domingo do Tempo Comum:
Is 49,3.5-6
Sl 39
1Cor 1,1-3
Jo 1,29-34

 

            Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29). Estas são as palavras que escutamos em todas as Missas, pronunciadas primeiramente por João Batista ao ver Jesus aproximar-se. Para o povo hebreu, a expressão “Cordeiro de Deus” remete a duas imagens do Antigo Testamento: primeiramente, a imagem dos cordeiros imolados no Egito, na véspera da passagem (Páscoa) pelas águas do Mar Vermelho. Mas lembra também a imagem do Servo Sofredor, proclamada na Sexta-feira da Paixão: “como cordeiro levado ao matadouro ou como ovelha diante dos que a tosquiam, ele não abriu a boca” (Is 53,7).

            A palavra aramaica talya refere-se tanto a cordeiro, como servo. Por isso, muito bem podem se aplicar a Jesus as palavras de Isaías: “E agora diz-me o Senhor – ele que me preparou desde o nascimento para ser seu Servo [Cordeiro] – que eu recupere Jacó para ele e faça Israel unir-se a ele; aos olhos do Senhor esta é a minha glória” (49,5). Jesus, portanto, é o Cordeiro, o Servo de Deus, que tem como missão unir novamente a humanidade a Deus e, para isso, oferecerá a sua própria vida na cruz, como cordeiro imolado. “Eu disse: Eis que venho, Senhor, com prazer faço a vossa vontade!” (Cf. Sl 39,8-9).

            Que reflexões podemos fazer a partir desta Palavra?

Primeiramente, é preciso reconhecer em Cristo o Cordeiro enviado pelo Pai para nossa salvação. É preciso assumirmos o firme propósito de irmos até Ele, sermos sustentados por sua Palavra, pela força da Eucaristia, pelo hábito da oração.

            Mas é preciso ir além. O cristão, participando da vida e da missão de Cristo, deve também tornar-se consciente do chamado de Deus para ser também ele “cordeiro de Deus”, ou seja, doar sua vida pelos irmãos. A santidade é o desejo de Paulo aos Coríntios: “aos que foram santificados em Cristo Jesus, chamados a ser santos” (1Cor 1,2). Como posso ser santo? Sendo cordeiro. Os esposos são cordeiros, quando assumem o propósito de viver fielmente a vida matrimonial, cuidando da família, dom precioso de Deus. Os jovens são cordeiros quando assumem o projeto do Senhor, afastando-se das propostas de um mundo consumista e superficial. Os leigos são cordeiros quando assumem a missão da Igreja, doando sua vida como dizimistas e agentes empenhados nas várias pastorais.

 

* Para meditar as leituras deste 2º Domingo do Tempo Comum, acesse: Arquidiocese de Mariana.

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