Eis o Cordeiro de Deus
Sl 39
1Cor 1,1-3
Jo 1,29-34
“Eis o Cordeiro de Deus, que tira
o pecado do mundo” (Jo 1,29). Estas são as palavras que escutamos em todas
as Missas, pronunciadas primeiramente por João Batista ao ver Jesus aproximar-se.
Para o povo hebreu, a expressão “Cordeiro de Deus” remete a duas imagens do
Antigo Testamento: primeiramente, a imagem dos cordeiros imolados no Egito, na
véspera da passagem (Páscoa) pelas águas do Mar Vermelho. Mas lembra também a
imagem do Servo Sofredor, proclamada na Sexta-feira da Paixão: “como
cordeiro levado ao matadouro ou como ovelha diante dos que a tosquiam, ele não
abriu a boca” (Is 53,7).
A palavra aramaica talya
refere-se tanto a cordeiro, como servo. Por isso, muito bem podem se aplicar a
Jesus as palavras de Isaías: “E agora diz-me o Senhor – ele que me preparou
desde o nascimento para ser seu Servo [Cordeiro] – que eu recupere Jacó
para ele e faça Israel unir-se a ele; aos olhos do Senhor esta é a minha glória”
(49,5). Jesus, portanto, é o Cordeiro, o Servo de Deus, que tem como missão unir
novamente a humanidade a Deus e, para isso, oferecerá a sua própria vida na
cruz, como cordeiro imolado. “Eu disse: Eis que venho, Senhor, com prazer
faço a vossa vontade!” (Cf. Sl 39,8-9).
Que reflexões podemos fazer a partir
desta Palavra?
Primeiramente, é preciso reconhecer em
Cristo o Cordeiro enviado pelo Pai para nossa salvação. É preciso assumirmos o
firme propósito de irmos até Ele, sermos sustentados por sua Palavra, pela
força da Eucaristia, pelo hábito da oração.
Mas é preciso ir além. O cristão,
participando da vida e da missão de Cristo, deve também tornar-se consciente do
chamado de Deus para ser também ele “cordeiro de Deus”, ou seja, doar sua vida
pelos irmãos. A santidade é o desejo de Paulo aos Coríntios: “aos que foram
santificados em Cristo Jesus, chamados a ser santos” (1Cor 1,2). Como posso
ser santo? Sendo cordeiro. Os esposos são cordeiros, quando assumem o propósito
de viver fielmente a vida matrimonial, cuidando da família, dom precioso de
Deus. Os jovens são cordeiros quando assumem o projeto do Senhor, afastando-se
das propostas de um mundo consumista e superficial. Os leigos são cordeiros
quando assumem a missão da Igreja, doando sua vida como dizimistas e agentes
empenhados nas várias pastorais.
* Para meditar as leituras deste 2º Domingo do Tempo Comum, acesse: Arquidiocese de Mariana.
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