Esta é a voz daquele que grita no deserto

  

2º Domingo do Advento:
Is 11,1-10
Sl 71
Rm 15,4-9
Mt 3,1-12

 

            No tempo do Advento, somos acompanhados em boa medida por dois homens de palavras fortes, dois grandes profetas: Isaías e João Batista. Neste Domingo, o convite que ambos fazem a nós é: desvestirmo-nos de hipocrisia e fugirmos à superficialidade da fé para vivermos um encontro profundo com o Cristo que vem ao nosso encontro.

            Isaías escreveu num contexto de dificuldade. A dinastia davídica estava ameaçada, devido aos inúmeros pecados dos reis sucessores de Davi, e o povo estava correndo sério risco de ser exilado. O profeta anuncia que virá um descendente de Davi para recuperar a lealdade aos projetos de Deus. Ele não viverá de aparências, mas trará justiça no governo do povo: “Ele não julgará pelas aparências que vê nem decidirá somente por ouvir dizer; mas trará justiça para os humildes e uma ordem justa para os homens pacíficos; fustigará a terra com a força da sua palavra e destruirá o mau com o sopro dos lábios. Cingirá a cintura com a correia da justiça e as costas com a faixa da fidelidade” (11,3-5).

            Este a quem Isaías anunciou, sabemos bem, é Jesus Cristo. Mas antes que Ele mesmo se apresentasse ao mundo, atuou João Batista, o precursor. O evangelista Mateus apresenta João como um dos profetas, no seguimento de Isaías: “Naqueles dias, apareceu João Batista, pregando no deserto da Judeia: <Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo>. João foi anunciado pelo profeta Isaías, que disse: <Esta é a voz daquele que grita no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas!” (3,1-3).

Também João Batista apresentou-se ao povo de Israel como este profeta da sinceridade, alérgico à superficialidade. Suas roupas e hábitos austeros são prova disso: “João usava uma roupa feita de pelos de camelo e um cinturão de couro em torno dos rins; comia gafanhotos e mel do campo” (3,4). Mas também suas duras palavras aos fariseus e saduceus: “Raça de cobras venenosas, quem vos ensinou a fugir da ira que vai chegar? Produzi frutos que provem a vossa conversão” (3,7-8). João conhecia seus corações. Estavam cheios de si, vazios de Deus. Não estavam preparados para acolher o Messias.

Também nós estamos cheios de hipocrisia! Enganamo-nos a nós mesmos. Aprendamos de Isaías e João Batista a vivermos na austeridade, esvaziando-nos de nossas vaidades pessoais e abrindo-nos à presença de Deus!

 

* Para meditar as leituras deste 2º Domingo do Advento, acesse: Arquidiocese de Mariana.

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