Esta é a voz daquele que grita no deserto
Sl 71
Rm 15,4-9
Mt 3,1-12
No tempo do Advento, somos
acompanhados em boa medida por dois homens de palavras fortes, dois grandes
profetas: Isaías e João Batista. Neste Domingo, o convite que ambos fazem a nós
é: desvestirmo-nos de hipocrisia e fugirmos à superficialidade da fé para
vivermos um encontro profundo com o Cristo que vem ao nosso encontro.
Isaías escreveu num contexto de
dificuldade. A dinastia davídica estava ameaçada, devido aos inúmeros pecados
dos reis sucessores de Davi, e o povo estava correndo sério risco de ser
exilado. O profeta anuncia que virá um descendente de Davi para recuperar a lealdade
aos projetos de Deus. Ele não viverá de aparências, mas trará justiça no
governo do povo: “Ele não julgará pelas aparências que vê nem decidirá
somente por ouvir dizer; mas trará justiça para os humildes e uma ordem justa
para os homens pacíficos; fustigará a terra com a força da sua palavra e
destruirá o mau com o sopro dos lábios. Cingirá a cintura com a correia da justiça
e as costas com a faixa da fidelidade” (11,3-5).
Este a quem Isaías anunciou, sabemos
bem, é Jesus Cristo. Mas antes que Ele mesmo se apresentasse ao mundo, atuou
João Batista, o precursor. O evangelista Mateus apresenta João como um dos
profetas, no seguimento de Isaías: “Naqueles dias, apareceu João Batista,
pregando no deserto da Judeia: <Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está
próximo>. João foi anunciado pelo profeta Isaías, que disse: <Esta é a
voz daquele que grita no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai suas
veredas!” (3,1-3).
Também João Batista apresentou-se ao povo
de Israel como este profeta da sinceridade, alérgico à superficialidade. Suas
roupas e hábitos austeros são prova disso: “João usava uma roupa feita de pelos
de camelo e um cinturão de couro em torno dos rins; comia gafanhotos e mel do
campo” (3,4). Mas também suas duras palavras aos fariseus e saduceus: “Raça
de cobras venenosas, quem vos ensinou a fugir da ira que vai chegar? Produzi
frutos que provem a vossa conversão” (3,7-8). João conhecia seus corações.
Estavam cheios de si, vazios de Deus. Não estavam preparados para acolher o
Messias.
Também nós estamos cheios de hipocrisia!
Enganamo-nos a nós mesmos. Aprendamos de Isaías e João Batista a vivermos na
austeridade, esvaziando-nos de nossas vaidades pessoais e abrindo-nos à
presença de Deus!
* Para meditar as leituras deste 2º Domingo do Advento, acesse: Arquidiocese de Mariana.
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