A luz brilha nas trevas

 

 Natal do Senhor:

Is 9,1-6
Sl 95
Tt 2,11-14
Lc 2,1-14
 

            Podemos pensar que, no ano litúrgico, as duas celebrações mais solenes são o Natal e a Páscoa: a Encarnação e a Ressurreição, momentos importantes do único mistério pascal de Cristo. Enquanto a data da Páscoa é cuidadosamente calculada para coincidir com os dias mais próximos dos dias em que Cristo morreu e ressuscitou, o mesmo não acontece com o Natal. Não se sabe o dia em que Cristo nasceu. O dia 25 de dezembro era, em sua origem, um dia de festa para os pagãos, a festa do deus sol. Com a cristianização do Império Romano, a data passou a ser celebrada como a memória do nascimento de Jesus. Deste modo, a data do Natal tem um sentido muito mais que cronológico: um sentido teológico e espiritual.

            Assim como o sol é a principal fonte de luz para o mundo, Cristo é a luz do mundo, que dissipa as trevas do pecado e da morte em que estava imersa a humanidade, iluminando-nos com sua graça. Toda a liturgia deste dia nos aponta para este mistério. “O povo, que andava na escuridão, viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu” (Is 9,1). “E a luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguiram dominá-la” (Jo 1,5).

            Neste Natal, deixemo-nos ser iluminados por Cristo! Mas tenhamos clareza de algo: a luz de Cristo é bastante diferente da luz que o mundo oferece. Vejamos que Jesus nasce ofuscado, sem qualquer brilho externo. É enfaixado e colocado numa manjedoura, “pois não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2,7). Não nasce num grande centro de poder, mas na pequenina Belém. Não é notado pelas autoridades políticas e religiosas de seu tempo, mas contemplado por pobres “pastores que passavam a noite nos campos, tomando conta do seu rebanho” (2,8). Assim também acontece conosco. A verdadeira luz de Cristo brilha no interior, não na superficialidade; na humildade, não na exuberância. O que o mundo diz ser luz, são, na verdade, trevas.

            Todos sabemos por experiência própria que, quando há uma forte luz à frente de nossos olhos, não conseguimos enxergar bem as coisas à nossa frente. São João da Cruz dizia funcionar assim o pecado em nossas vidas: diminui a verdadeira luz de Cristo, impede-nos de ser totalmente iluminados e vivermos bem nossa missão. Pensemos, portanto: quais “luzes” andam impedindo que eu me encontre com a Luz de Cristo? É tempo de deixar-me iluminar!

            Feliz Natal!

 

* Para meditar as leituras desta solenidade do Natal do Senhor, acesse: Arquidiocese de Mariana.

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